Neoliberalismo e Globalização

 

Neoliberalismo e Globalização

 

 Por: Marcelo Pereira

Introdução

 

Evolução do capitalismo

 

         Durante o per√≠odo final da Guerra Fria o capitalismo passou por um de seus per√≠odos econ√īmicos de maior crescimento. Esse processo j√° havia come√ßado nos √ļltimos lustros do s√©culo XIX e, desde a I Guerra Mundial, j√° se pode observar que os Estados Unidos da Am√©rica estavam se transformando numa grande pot√™ncia, gra√ßas ao seu crescente poderio econ√īmico-militar.

Diversas mudanças, em escala mundial, permitiram que a hegemonia norte-americana fosse se consolidando após a II Guerra Mundial, senão vejamos:

_ Conferência de Bretton Woods em 1944, na qual ficou estabelecido que o dólar passaria a ser a principal moeda de reserva mundial, abandonando-se o padrão-ouro.

_ Crescente participação das transnacionais norte-americanas no exterior, em especial na Europa e em alguns países subdesenvolvidos como o Brasil, o México, etc.

_ Expansão dos bancos norte-americanos e sua transnacionalização.

_ Descoloniza√ß√£o da √Āfrica e da √Āsia que, criando dificuldades econ√īmicas aos pa√≠ses europeus, abriu oportunidades para os Estados Unidos da Am√©rica.

Bretton Woods

        Durante tr√™s semanas de julho de 1944, do dia 1¬ļ ao dia 22, 730 delegados de 44 pa√≠ses do mundo ent√£o em guerra, reuniram-se no Hotel Mount Washington, em Bretton Woods, New Hampshire, nos Estados Unidos, para definirem uma Nova Ordem Econ√īmica Mundial. Foi uma esp√©cie de antecipa√ß√£o da ONU (fundada em S√£o Francisco no ano seguinte, em 1945) para tratar das coisas do dinheiro. A reuni√£o centrou-se ao redor de duas figuras chaves: Harry Dexter White, Secret√°rio-Assistente do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos e de Lord Keynes, o mais famoso dos economistas, representando os interesses da Gr√£-Bretanha, que juntos formavam o eixo do poder econ√īmico da terra inteira.

         Acertou-se que dali em diante, em documento firmado em 22 de julho de 1944, na era que surgiria das cinzas da Segunda Guerra Mundial, haveria um fundo encarregado de dar estabilidade ao sistema financeiro internacional bem como um banco respons√°vel pelo financiamento da reconstru√ß√£o dos pa√≠ses atingidos pela destrui√ß√£o e pela ocupa√ß√£o: o FMI (Fundo Monet√°rio Internacional) e o Banco Internacional para a Reconstru√ß√£o e o Desenvolvimento, ou simplesmente World Bank, Banco Mundial, apelidados ent√£o de os Pilares da Paz.

 

         Os investimentos internacionais cresceram em volume, pois, al√©m dos Estados Unidos, as antigas pot√™ncias europ√©ias, que estavam se recuperando da crise criada pelos desastres da guerra, tamb√©m come√ßavam a se expandir.

         O dom√≠nio mundial estadunidense √© evidenciado pelo seu controle de mais da metade dos investimentos internacionais e pelo elevado n√ļmero de filiais das transnacionais, a tend√™ncia de monopoliza√ß√£o do capitalismo foi acelerada, fato que tamb√©m pode ser observado nos programas de privatiza√ß√£o que se intensificaram na d√©cada de 1980, envolvendo mais de 100 pa√≠ses do mundo e movimentando trilh√Ķes de d√≥lares.

         Ao produzir em locais onde a m√£o-de-obra √© mais barata (tanto seu pre√ßo por hora quanto os encargos sociais) ou onde os custos de prote√ß√£o ambientais s√£o nulos ou muito baixos, as transnacionais reduzem os seus custos de produ√ß√£o, barateando as mercadorias. Dessa forma, podem vender seus produtos mais barato (quebrando a concorr√™ncia), aumentar suas taxas de lucro ou obter uma combina√ß√£o de ambos.

         Ap√≥s a II Guerra Mundial, iniciou-se o mais longo per√≠odo de crescimento cont√≠nuo do capitalismo, abalado apenas pela crise do petr√≥leo, em fins de 1973. Durante os √ļltimos 30 anos, o valor da produ√ß√£o econ√īmica quadruplicou e as exporta√ß√Ķes quase sextuplicaram nos pa√≠ses desenvolvidos. Uma das principais causas desse crescimento do capitalismo foi a expans√£o de um grupo bem definido de grandes empresas, das quais cerca de 500 atingem dimens√Ķes gigantescas.

         Essas empresas, passaram a ser denominadas multinacionais, a partir de 1960, mas essa express√£o se popularizou ap√≥s 1973, quando a revista Business Week publicou artigos e relat√≥rios sobre elas. Segundo as Na√ß√Ķes Unidas, as empresas multinacionais ‚Äús√£o sociedade que possuem ou controlam meios de produ√ß√£o ou servi√ßo fora do pa√≠s onde est√£o estabelecidas‚ÄĚ. Hoje, no entanto, toma-se consci√™ncia de que a palavra transnacional expressa melhor a id√©ia de que essas empresas n√£o pertencem a v√°rias na√ß√Ķes (multinacionais), mas sim que atuam al√©m das fronteiras de seus pa√≠ses de origem.

         No fim da Ordem da Guerra Fria (1989), segundo relat√≥rio da ONU, existiam mais de 30 mil empresas transnacionais, que tinham espalhadas pelo mundo cerca de 150 mil filiais. Em 1970 elas eram apenas 7.125 empresas e tinham pouco mais de 20 mil subsidi√°rias.

         As transnacionais foram, durante o per√≠odo da Guerra Fria, a maior fonte de capital externo para os pa√≠ses subdesenvolvidos pois controlavam a maior parte do fluxo de capitais no mundo (exceto nos anos do Plano Marshall). No fim dessa ordem internacional, empres√°rios estadunidenses controlavam mais de 35% das empresas transnacionais do mundo.

         Nas √ļltimas d√©cadas, a globaliza√ß√£o da economia tornou cada vez mais importante o sistema financeiro internacional. Ele √© formado por um conjunto de normas, pr√°ticas e institui√ß√Ķes (que fazem ou recebem pagamentos das transa√ß√Ķes realizadas fora das fronteiras nacionais). Dessa forma, o sistema envolve as rela√ß√Ķes de dezenas de moedas do mundo, sendo vital para o fechamento das balan√ßas comerciais e de pagamento dos pa√≠ses do mundo. Em s√≠ntese, s√£o tr√™s as fun√ß√Ķes do sistema monet√°rio internacional: provis√£o de moeda internacional, as chamadas reservas; financiamento dos desequil√≠brios formados pelo fechamento dos desequil√≠brios formados pelo fechamento dos pagamentos entre os pa√≠ses; e ajuste das taxas cambiais.

 

         Sua organiza√ß√£o moderna teve in√≠cio em julho de 1944, em um hotel chamado Bretton Woods, localizado na cidade norte-americana de Littleton (New Hampshire), onde 44 pa√≠ses assinaram um acordo para organizar o sistema monet√°rio internacional.

         Procurava-se tamb√©m resolver os problemas mais imediatos do p√≥s-guerra, para permitir a reconstru√ß√£o das economias europ√©ias e japonesa, mas o acordo acabou se transformando em um reflexo do poder pol√≠tico e financeiro dos Estados Unidos. Nessa reuni√£o tamb√©m foram criados o Fundo Monet√°rio Internacional (FMI), e o Banco Internacional para Reconstru√ß√£o do Desenvolvimento (Bird), hoje conhecido como Banco Mundial.

         A confer√™ncia estabeleceu uma paridade fixa entre as moedas do mundo e o d√≥lar, que poderia ser convertido em ouro pelo Banco Central estadunidense a qualquer instante. Todos os pa√≠ses participantes fixaram o valor de sua moeda em rela√ß√£o ao ouro, criando uma paridade internacional fixa. Todas as grandes na√ß√Ķes da √©poca, exceto a Uni√£o Sovi√©tica, evidentemente, concordaram em criar um ‚ÄúBanco Mundial‚ÄĚ, com a fun√ß√£o de realizar empr√©stimos de longo prazo para a reconstru√ß√£o e o desenvolvimento dos pa√≠ses membros; e o FMI, para realizar cr√©ditos de curto prazo e estabilizar moedas em casos de emerg√™ncia. Isso garantiu uma estabilidade monet√°ria razo√°vel durante 25 anos.

         √Ä medida que as economias da Europa e do Jap√£o foram se recuperando dos desastrosos efeitos da II Guerra Mundial e que os pa√≠ses subdesenvolvidos se emanciparam de suas pot√™ncias imperialistas, passando a agir como entidades econ√īmicas independentes, uma s√©rie de defici√™ncias do acordo de Bretton Woods foram ficando claras, gerando crises que se ampliaram desde o fim da d√©cada de 1960. O acordo deixou de vigorar a partir de 1971, quando o presidente norte-americano, Richard Nixon, abandonou o padr√£o-ouro, ou seja, n√£o permitiu mais a convers√£o de d√≥lares em ouro automaticamente. Com isso o sistema de c√Ęmbio desmoronou.

         O que define a economia dominante √© que a sua moeda se torna uma moeda internacional, servindo de par√Ęmetro ou de reserva financeira para outros pa√≠ses. Quando, em 1971, os Estados Unidos quebraram a convers√£o autom√°tica do d√≥lar em ouro, eles obrigaram os pa√≠ses que tinham d√≥lares acumulados a guard√°-los (j√° que n√£o poderiam mais ser convertidos em ouro) ou vend√™-los no mercado livre (em geral com preju√≠zo). Em mar√ßo de 1973 praticamente todos os pa√≠ses tinham desistido de fixar o valor de suas moedas em ouro e a flutua√ß√£o cambial tinha se firmado como padr√£o mundial.

         A crise do petr√≥leo em 1973 gerou condi√ß√Ķes definitivamente diferentes das existentes anteriormente e obrigou o conjunto de na√ß√Ķes a tomar uma s√©rie de medidas a respeito do papel do ouro nas rela√ß√Ķes monet√°rias internacionais. Ap√≥s 1973, as taxas de c√Ęmbio de cada pa√≠s passaram a flutuar e seu valor passou a ser determinado dia a dia.

         A acelera√ß√£o do crescimento das transa√ß√Ķes comerciais e o impressionante aumento do fluxo de turistas no mundo determinaram uma intensifica√ß√£o das trocas de uma moeda por outra (c√Ęmbio), criando uma maior interdepend√™ncia entre os pa√≠ses. Dessa forma, a recess√£o econ√īmica ou a crise financeira de um pa√≠s pode afetar muito rapidamente outras na√ß√Ķes o que explica a necessidade de um sistema monet√°rio internacional, para servir como um amortecedor dos impactos dessas transforma√ß√Ķes, melhorando e facilitando as rela√ß√Ķes entre na√ß√Ķes t√£o interdependentes na atualidade.

 

O Neoliberalismo e A Nova Ordem Mundial

 

Neoliberalismo

 

         O que se convencionou chamar de Neoliberalismo √© uma pr√°tica pol√≠tico-econ√īmica baseada nas id√©ias dos pensadores monetaristas (representados principalmente por Milton Friedman, dos EUA, e Friedrich August Von Hayek, da Gr√£ Bretanha). Ap√≥s a crise do petr√≥leo de 1973, eles come√ßaram a defender a id√©ia de que o governo j√° n√£o podia mais manter os pesados investimentos que haviam realizado ap√≥s a II Guerra Mundial, pois agora tinham d√©ficits p√ļblicos, balan√ßas comerciais negativas e infla√ß√£o. Defendiam, portanto, uma redu√ß√£o da a√ß√£o do Estado na economia. Essas teorias ganharam for√ßa depois que os conservadores foram vitoriosos nas elei√ß√Ķes de 1979 no Reino Unido (ungindo Margareth Thatcher como primeira ministra) e, de 19880, nos Estados Unidos (elei√ß√£o de Ronald Reagan para a presid√™ncia daquele pa√≠s). Desde ent√£o o Estado passou apenas a preservar a ordem pol√≠tica e econ√īmica, deixando as empresas privadas livres para investirem como quisessem. Al√©m disso, os Estados passaram a desregulamentar e a privatizar in√ļmeras atividades econ√īmicas antes controladas por eles.

 

A Nova Ordem Mundial

O que √© uma ordem (geopol√≠tica) mundial? Existe atualmente uma nova ordem ou, como sugerem alguns, uma desordem? Quais s√£o os tra√ßos marcantes nesta nova (des)ordem internacional? 

         Utilizamos como marco inicial para a assim chamada ‚ÄúNova Ordem Mundial‚ÄĚ (ou ‚ÄúNova Ordem Internacional‚ÄĚ) a queda do Muro de Berlim, com tudo o que simbolizou em termos pol√≠ticos, econ√īmicos e ideol√≥gicos. Evidentemente, muitos aspectos anteriores j√° indicavam uma nova era econ√īmica em forma√ß√£o.

         O Muro de Berlim n√£o apenas separava uma cidade e um povo. Ele simbolizava o mundo dividido pelos sistemas capitalista e socialista. A sua destrui√ß√£o, iniciada pelo povo de Berlim, na noite de 9 de novembro de 1989, p√īs abaixo n√£o apenas o muro material; mais do que isso, rompeu com o mais significativo s√≠mbolo da Guerra Fria: a bipolaridade.

         Como foi poss√≠vel a queda do Muro de Berlim, em plena Guerra Fria, num pa√≠s sob forte hegemonia da Uni√£o Sovi√©tica?

         Estas coisas n√£o acontecem, por assim dizer, ‚Äúcomo um raio em c√©u azul‚ÄĚ. Uma s√©rie de fatores a tanto conduzem, liderados pela Corrida Armamentista. Paralelamente ao abandono do Estado capitalista com gastos sociais, seguindo a orienta√ß√£o ‚Äúneoliberal‚ÄĚ, este passou a investir cada vez mais pesadamente em armamentos de ponta, mandando a conta da ‚Äúdefesa do mundo livre‚ÄĚ para os pa√≠ses subdesenvolvidos. A Uni√£o Sovi√©tica e seus aliados, sem terem ‚Äúsat√©lites‚ÄĚ ou pa√≠ses a utilizar como fonte de recursos para esta finalidade ‚Äď que contraria o princ√≠pio b√°sico do socialismo, a Paz ‚Äď passou a defender-se como pode. De todo o modo, se o bloco capitalista, dispondo de seu potencial de explora√ß√£o de praticamente todo o mundo subdesenvolvido e do aparato de propaganda que a isto se segue, criou armas cada vez mais sofisticadas e inacredit√°veis. Em fins da d√©cada de 80 falava-se no desenvolvimento, por conglomerados anglo-estadunidenses, de um projeto de ‚ÄúGuerra Nas Estrelas‚ÄĚ, uma esp√©cie de malha de sat√©lites voltada a destruir armamento inimigo em terra com canh√Ķes laser! Especulava-se ainda acerca de uma arma (que, se efetivada jamais foi utilizada na pr√°tica, que se saiba, at√© os dias de hoje) chamada de ‚ÄúBomba de N√™utrons‚ÄĚ, capaz de destruir completamente a vida sem afetar o patrim√īnio, um verdadeiro emblema do ideal capitalista... Deslocando recursos da produ√ß√£o de alimentos, medicamentos, educa√ß√£o e sal√°rios para a Defesa, as na√ß√Ķes socialistas foram levadas a um crise econ√īmica sem precedentes hist√≥ricos, este o cerne do problema.

 

         Em 1985, a elei√ß√£o de Mikhail Gorbatchov para a lideran√ßa da Uni√£o Sovi√©tica tinha por finalidade encontrar formas pac√≠ficas de sobreviv√™ncia democr√°tica entre regimes econ√īmicos antag√īnicos. Se os socialistas reafirmavam a necessidade da interven√ß√£o estatal na economia, encontravam, na outra ponta a competitividade mercantil daqueles que se nutriam da morte e da destrui√ß√£o, numa palavra: da competitividade. Abandonaram-se as metas cooperativistas e passou-se a pautar-se pela mais rapinante competitividade.

 

         Reconhecendo que falta de transpar√™ncia e democracia na revela√ß√£o dos fatos constitu√≠a um entrave ao desenvolvimento do socialismo, Gorbatchov publicou seu cl√°ssico Perestroika, novas id√©ias para o meu pa√≠s e o mundo que, contudo, foi mais utilizado pelos advers√°rios do que pelos amigos do social. Era sem d√ļvida a express√£o de uma crise.

 

         Gorbatchov tentou ainda acordos com o ultradireitista Ronald Reagan, administrando mesmo o final do Tratado de Vars√≥via e assinando com o presidente estadunidense o famoso acordo START (Strategic Arms Reduction Treaty), atrav√©s do qual a OTAN e outras organiza√ß√Ķes filo-fascist√≥ides dos Estados Unidos e aliados comprometiam-se a diminuir seus arsenais e interromper a corrida armamentista. Na pr√°tica, pouco foi feito a este respeito e √© correto afirmar que as na√ß√Ķes do Oeste (Estados Unidos e Inglaterra √† frente) venceram a Guerra Fria contra o socialismo.

 

         Naturalmente, a √ļltima palavra a este respeito ainda n√£o est√° dada. Outrora um dos maiores problemas de distribui√ß√£o na URSS era representado pela filas: todos tinham dinheiro para comprar os bens necess√°rios, particularmente numa na√ß√£o que foi capaz de manter o pre√ßo do p√£o em tr√™s copeques durante mais de setenta anos! Mas formavam-se filas imensas para esperar que produtos raros do ocidente chegassem √†s prateleiras dos supermercados, delas desaparecendo rapidamente. Hoje, em Moscou, o que se v√™ √©, al√©m do retorno da prostitui√ß√£o, da mis√©ria, da mendic√Ęncia e da viol√™ncia, levando uma na√ß√£o que j√° foi uma superpot√™ncia a rivalizar com pa√≠ses subdesenvolvidos neste quesito, supermercados e lojas de conveni√™ncia abarrotadas de bens para os quais ningu√©m mais tem dinheiro para comprar... O russo m√©dio se pergunta se teria feito um bom neg√≥cio ao sair do socialismo para o capetalismo...

 

O que é Globalização?

 

            Do ponto de vista do globalizador pode ser definida como o processo de internacionaliza√ß√£o das pr√°ticas capitalistas, com forte tend√™ncia √† diminui√ß√£o ‚Äď ou mesmo desaparecimento ‚Äď das barreiras alfandeg√°rias; liberdade total para o fluxo de Capital no mundo.

            Os primeiros povos ‚Äď de quem se tem not√≠cia ‚Äď a dividir o mundo entre ‚Äún√≥s = civilizados‚ÄĚ e ‚Äúoutros = b√°rbaros‚ÄĚ foram os gregos e hebreus. Tamb√©m os romanos assim dividiam os povos do mundo.

            Sim, o planeta Terra, particularmente na regi√£o de hegemonia ocidental, ou seja, dos povos oriundos das cercanias do Mar Mediterr√Ęneo, j√° sofreu a globaliza√ß√£o eg√≠pcia, a globaliza√ß√£o greco-maced√īnica, a globaliza√ß√£o romana, a globaliza√ß√£o mu√ßulmana, a globaliza√ß√£o ib√©rica, a globaliza√ß√£o brit√Ęnica, a globaliza√ß√£o nazi-fascista e, desde o t√©rmino da Primeira Guerra Mundial, agudizando-se ainda mais ap√≥s o t√©rmino da segunda, estamos sofrendo a globaliza√ß√£o estadunidense.

            Aprofundemos o paralelo. A seita judaica (que assim era vista) chamada de ‚Äúcrist√£‚ÄĚ era vista como b√°rbara e contr√°ria aos deuses romanos. Os judeus foram globalizados √† for√ßa, assim como os cartagineses e outros povos mais. √Äquele tempo, somente os latinos e maced√īnicos foram globalizados pacificamente.

            Mais recentemente, pelos nazistas, em fun√ß√£o de uma s√©rie de peculiaridades, poucas regi√Ķes foram globalizadas pacificamente, como os Sudetos e a √Āustria.

            Na atual globaliza√ß√£o estadunidense, a Argentina, o M√©xico e o Brasil constituem as principais demonstra√ß√Ķes de ‚Äúglobaliza√ß√£o pac√≠fica‚ÄĚ. Aqueles que n√£o concordam com o processo de globaliza√ß√£o, s√£o globalizados √† for√ßa, constituindo os principais exemplos os pa√≠ses isl√Ęmicos, particularmente devido ao poderoso lobbie judaico no governo da √ļnica superpot√™ncia do planeta nos dias autais.

            N√≥s, ‚Äúchicanos‚ÄĚ, ‚Äúcucarachas‚ÄĚ, globalizados pacificamente, estamos falidos, endividados, desempregados, famintos e governados por gente subserviente aos estadunidenses. √Č de se pensar se nossos governantes aceitam essa globaliza√ß√£o pac√≠fica para evitar derramamento de sangue pois, como vimos, quem os estadunidenses n√£o conseguem globalizar ‚Äúpor bem‚ÄĚ, s√£o globalizados √† m√£o armada, √† revelia da ONU, que vai, aos poucos, deixando de ter o significado e o poder que tinha.

            Basta lembrar que a ONU nasceu ainda durante os julgamentos de Nuremberg, com o fito principal de evitar que povos do mundo, em nome de uma pretensa superioridade (racial, cultural ou qualquer outra), destru√≠ssem civiliza√ß√Ķes por eles consideradas ‚Äúb√°rbaras‚ÄĚ ou ‚Äúincivilizadas‚ÄĚ. Em 1991 George Bush (o pai) bateu o primeiro prego no caix√£o da ONU quando conseguiu for√ßar a aprova√ß√£o de uma interven√ß√£o militar sobre o Iraque (ali√°s, fracassada). Dali para c√°, uma s√©rie de ocorr√™ncias v√™m em sucessivas vagas e ainda h√° quem se surpreenda ao ver representa√ß√Ķes da ONU ser percebida pelas v√≠timas da globaliza√ß√£o como representa√ß√£o dos EUA. Desde 1991 ‚Äď praticamente desde o final da polariza√ß√£o ‚Äúcapitalismo versus socialismo‚ÄĚ a ONU deixou de ser um organismo representativo da autonomia dos povos do mundo e passou a ser, na pr√°tica, um organismo homologador das decis√Ķes estadunidenses. O esc√Ęndalo em torno desta subservi√™ncia foi tamanho que, recentemente, os estadunidenses n√£o obtiveram o aval da ONU enquanto n√£o produzissem provas de que o Iraque constitu√≠a uma amea√ßa √† estabilidade das civiliza√ß√Ķes judaico-crist√£s ocidentais. Desprezando solenemente a ONU, estadunidenses e seus c√ļmplices brit√Ęnicos massacraram uma das na√ß√Ķes mais miser√°veis do mundo que, para sua desgra√ßa, constituem-se no segundo maior produtor de petr√≥leo do mundo.

            Enfim, ‚Äúglobaliza√ß√£o‚ÄĚ tem um significado para os globalizadores e outro para os globalizados, desde sempre, ali√°s. E desde sempre, parodiando o Conselheiro, ‚Äúh√° poucos globalizadores e muitos globalizados‚ÄĚ. Pior: reiterando: quem n√£o se deixa globalizar por bem como o Brasil, a Argentina e o M√©xico (que est√£o na mis√©ria que est√£o) √© globalizado a bala, como o Afeganist√£o e o Iraque...

 

Transforma√ß√Ķes no Mapa Mundi, os Novos Blocos Econ√īmicos, o Neonacionalismo e o Terrorismo como conseq√ľ√™ncia do fim do socialismo no Leste Europeu

 

   Sem a coes√£o ideol√≥gica do socialismo as quinze rep√ļbicas que outrora compunham a URSS fragmentaram-se, o mesmo ocorrendo com a Iugosl√°via e com a Tchecoslov√°quia. Somente a Alemanha se reunificou neste processo, ampliando, com isso, enormemente, a xenofobia e o racismo. Composta por grupos culturais excepcionalmente diferentes como S√©rvios, Croatas, B√≥snios, Maced√īnios e Albaneses entre outros, professando diferentes religi√Ķes, como o Catolicismo Ortodoxo, o Catolicismo Romano, o Islamismo e o Juda√≠smo a ex-Iugosl√°via foi o n√ļcleo central de uma guerra chamada de "limpeza √©tnica" cujos dirigentes ainda hoje respondem ao Tribunal Internacional de Justi√ßa. J√° se disse que o S√©culo XX "come√ßa e termina em Sarajevo". Pura verdade... 

            Com o final definitivo da bipolariza√ß√£o entre EUA e URSS, temos um mundo capitaneado pelos EUA, dado o seu poderio b√©lico e econ√īmico. Em seu ufanismo afirmam mesmo ser a √ļnica Superpot√™ncia planet√°ria. Em menor escala, mas disputando sua chegada a uma posi√ß√£o de hegemonia, o Jap√£o, que tem o Extremo Oriente como sua √°rea de influ√™ncia preferencial e a Europa, que encontra na √Āfrica a sua √°rea de influ√™ncia preferencial.